05 julho 2007

Morrer de sede ao pé da água...



...é a frase que me veio à cabeça ao ver o novo filme de Michael Moore, Sicko, que põe a nú as fraquezas do mais que "lobbizado" sistema de saúde norte-americano. Como é que é possível que um país tão cheio de recursos trate tão mal aqueles que mais precisam da sua ajuda?

Quem não tem seguro de saúde (ou não o consegue obter) cuida de si mesmo, endivida-se até ao último tostão ou faz escolhas absurdas: num dos casos um mecânico com dois dedos decepados numa serra eléctrica teve de escolher com qual deles queria ficar, porque por reimplantar um deles pediam-lhe 60.000 dólares e por outro 12.000 dólares. Imaginem com qual ele ficou?

Mas os casos mais revoltantes são mesmo os que terminam em morte. Como o caso de uma menina com febre cuja mãe teve o azar de a levar ao hospital mais próximo, que por um acaso não trabalhava com a sua seguradora. A sua morte ao fim de algumas horas, com a mãe a implorar para a tratarem, foi completamente desnecessária e trágica. Principalmente quando todos os meios para a salvarem estavam ali mesmo à mão.

Mas nem mesmo alguns dos heróis do 11 de Setembro (tão saudados na altura do acontecimento) são poupados no sistema de saúde. Muitos dos voluntários que acorreram ao ground zero, passando meses a recolher escombros e corpos, sofrem agora de doenças respiratórias graves. Muitos perderam entretanto o seguro que tinham e quando pediram ajuda ao governo esta foi negada com a justificação de que não estavam oficialmente ao serviço do Estado na altura.

Será que este filme vai mudar alguma coisa? Infelizmente os lobbies das seguradoras e farmacêuticas não vão deixar que isso aconteça tão rapidamente. E, claro, o medo colectivo do fantasma do "socialismo" faz com que milhões de americanos continuem a achar que, em relação à saúde, cada um que trate da sua.

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