09 maio 2007

2 milhões sem mapa



Após um terrível terramoto em 1972 a cidade de Manágua (Nicarágua) ficou de tal forma devastada que os residentes tiveram de usar pontos de referência (farmácias, praças, etc.) para identificar lugares. Embora hoje em dia algumas ruas já tenham nome e até algumas casas já tenham número a maioria não. E o sistema de identificação por referência enraizou-se de tal forma que qualquer tentativa de "normalizar" os endereços da cidade acaba sempre por não dar resultado.

Quem quiser, por exemplo, ir até à embaixada canadiana vai ser instruído a partir "dos Los Pipitos e descer dois quarteirões". É claro que convém saber que Los Pipitos é uma antiga instituição de acolhimento para crianças e que "descer" não significa literalmente "ir para baixo" mas sim "ir para oeste" (onde o sol se põe). Tal como "ir para cima" significa significa ir para este.

Para tornar o processo um pouco mais complicado a população costuma também usar o sistema métrico combinado com uma antiga unidade de medida, a vara. Para se compreender instruções como "Da pequena árvore, subir dois quarteirões e depois 50 varas em direcção ao lago" convém saber que uma vara equivale a 0.847 metros, que o "lago" é a norte e que a "pequena árvore" na realidade já cresceu bastante...

Mesmo para pessoas que já viveram na cidade, como é o caso de Nedelka Aguilar, que nasceu na Nicarágua, o regresso nem sempre é fácil. Quando voltou para Manágua ao fim de alguns anos de ausência precisava de se encontrar com uma mulher que lhe deu o seguinte endereço: "A partir do local onde se encontrava o antigo restaurante chinês, ir em direcção ao lago, e entrar na porta ao lado do carro amarelo". Intrigada pela última referência ela perguntou à mulher: "e se o carro amarelo já lá não estiver". A resposta veio rápida e combinada com uma gargalhada: "o carro amarelo está sempre lá"...

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