20 outubro 2006

"Eye Candy"


É assim que consigo classificar os dois últimos filmes que fui ver. O primeiro, A Dália Negra é uma tal embrulhada que dá pena tendo em conta os recursos à disposição e o material em que se inspira. Quando a personagem principal se interessa tão pouco pelo que aconteceu à moça que dá título à fita, porque é que nós nos haviamos de preocupar?
Valha-nos a fantástica produção hollywoodesca que nos faz mesmo acreditar que estamos na LA dos anos 40 e duas fabulosas cenas: a da descoberta da Dália com um tiroteio à mistura e a de KD Lang a actuar num clube nocturno. De resto, boring boring...


Pelo contrário, Maria Antonieta, não é nada chato e a história se é embrulhada é mesmo para presente (e vistoso). Quase todo o filme é de tal forma superficial que quando chega o momento da verdade, e todos sabemos que chegará, a transformação de menina frívola em mulher conscenciosa é-nos servida às colheradas difíceis de tragar. Que Sophia Coppola não gosta (ou não se interessa) pela vertente histórica é evidente, mas tentar ignorá-la até ao último momento possível desequilibra a película. E é pena, porque como acontece com A Dália Negra estavam reunidas todas as condições para este ser um excelente filme. No final (quase) tudo o que sobrou foi mesmo um gigantesco eye candy...

0 bitaite(s):

Enviar um comentário