12 agosto 2006

Não se deixe aterrorizar (uma perspectiva americana)



Esta semana as autoridades britânicas detiveram um plano terrorista para destruir diversos aviões em rota para os Estados Unidos. Com este tipo de anúncio cresce a ansiedade do público. E o medo, o principal combustível dos terroristas. Mas na realidade, será que este se justifica? Vejamos mais de perto as probabilidades de se morrer num ataque terrorista quando comparadas com outras causas de mortalidade.

Em 2003 cerca de 45.000 norte-americanos morreram em acidentes rodoviários para uma população de 300 milhões. Por isso as probabilidades de se morrer dessa forma são de 1 em 6.500 num ano. Numa vida de 78 anos as chances serão de 1 em 83. Num acidente de avião as probilidades diminuem ainda mais (1 para 400.000 ao ano e 1 para 5.000 numa vida inteira). A atravessar a rua os riscos são muito maiores (1 para 48.500 ao ano e 1 para 625 numa vida inteira). Morrer assassinado tem um risco ainda superior (1 em 16.500 ao ano e 1 em 210 numa vida inteira).

Como se comparam então estas situações com o risco de morrer num ataque terrorista?
Alguns cenários plausiveis foram calculados pelo professor Michael Rotschild da Universidade de Wisconsin.
Por exemplo, se os terroristas destruissem um centro comercial norte-americano por ano as chances de morrer desta maneira seriam 1 em 1 milhão. E se os terroristas sequestrassem um avião por semana as chances seriam de 1 para 135.000.
Mesmo que conseguissem um "11 de Setembro" por ano as chances seriam de 1 para 100.000 e na vida inteira de 1. para 1.300.

Por outras palavras o risco de morrer num atentado terrorista é muito mais baixo que morrer num acidente de automóvel, a atravessar a rua ou ser assassinado.

E se, mesmo estes números, não forem um conforto? Aí nasce realmente um problema. É fácil exagerar quando acontece uma atrocidade. Ficamos vulneráveis e dispomo-nos a ceder partes da nossa liberdade aos que nos prometem segurança. Mas como dizia Roosevelt, "A única coisa que devemos temer é o próprio medo". Com riscos tão baixos como estes não há justificação para não continuarmos a viver a nossa vida como se o terrorismo não importasse - porque no fim de contas, não importa. O terrorismo será finalmente vencido quando nos recusarmos a ser aterrorizados.

Adaptado do artigo Don't Be Terrorized, por Ronald Bailey in "Reason Online"

Ver também o (excelente) cast de Ze Frank sobre o assunto: http://www.zefrank.com/theshow/archives/2006/08/081006.html


[LINK]

Don't be terrorized: You're more likely to die of a car accident, drowning, fire, or murder. Click the LINK to read the article.

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