16 julho 2005

Olhar para trás


...
Porto da minha infância!
A primeira impressão que me causaste
Tenho-a, cheia de espanto, na memória,
Cheia de bruma e de granito!
É uma impressão de Inverno,
Sombra cinzenta, enorme, donde irrompe
Alto cipreste empedernido
No meio de sepulcros habitados.

...
-Teixeira de Pascoaes
Ler este poema de Teixeira de Pascoaes fez-me recuar no tempo, porque esta é também uma das minhas memórias de infância do Porto. Os dias invernosos, o nevoeiro e o granito. Tal e qual. Mas também me lembro do sol alaranjado dos fins de tarde outonais, com folhas de plátano acastanhadas caídas pelas ruas com as quais eu criava coroas de Rei. E as noites no Palácio, assim que ficava bom tempo, com jantar de sardinhada, voltas intermináveis nos carrosséis e furinhos nas bancas de chocolates. E finalmente, os regressos no final das férias quando passava de comboio - devagarinho - pela velha ponte de ferro e a cidade surgia à minha frente.
Hoje voltei atrás no tempo. E com um magnífico poema a acompanhar, não podia ter sido melhor.
Poema e Foto via A Cidade Surpreendente.

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