02 junho 2005

Cotoveladas de infância



Desde miúdo que ouvia sempre o meu pai contar que no barbeiro onde ia (e que eu e os meus irmãos também frequentavamos) havia uns clientes que gostavam de se sentar com os cotovelos para fora da cadeira, presumivelmente para sentirem as jóias da família de quem lhes cortava o cabelo. Isto ficou-me na memória e quando era adolescente , e descobri ser gay, comecei instintivamente a controlar a posição dos meus braços. Segundo a minha lógica, achava que se me descuidasse iam acabar por descobrir o meu "terrível segredo". E a verdade é que nunca perdi esse hábito. E ainda hoje à tarde, ao cortarem-me o cabelo dei comigo com os braços encatrafiados na cadeira. E assim se prolonga um "trauma" de infância pela vida fora...

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