09 dezembro 2004

Alta Infidelidade



Carrie: Well, I think maybe there's a cheating curve. That someone's definition of what constitutes cheating is in direct proportion to how much they themselves want to cheat.
Miranda: That's moral relativism!
Carrie: I prefer to think of it as quantum cheating.

-- O Sexo e a Cidade


Todos sabemos que h� rela��es e rela��es. H� quem tenha um caso durante alguns meses sabendo de antem�o ou constantado aos poucos que n�o vai dar em nada, h� quem apenas queira quebrar o recorde anterior de tr�s dias consecutivos de rela��o e h� quem invista numa rela��o duradoura e que at� tenha juntado os trapos . Neste �ltimo caso, o que fazer quando a �nica pessoa numa rela��o a longo prazo acaba por sermos apenas n�s mesmos ? O que fazer com toda a raiva e frustra��o que se apodera de n�s quando constatamos que o esfor�o, energia e amor de v�rios anos de rela��o afinal eram apenas um pro-forma para a outra pessoa ? Em dedica��o a um grande amigo vou falar um pouco sobre infidelidade.

Quando penso em infidelidade geralmente lembro-me de tr�s cen�rios poss�veis. � claro que a imagina��o humana n�o tem limites, mas, for argument sake, vamos nos cingir apenas a tr�s.

A Infidelidade Pontual (IP) � a melhor e a pior. No cen�rio mais simples, quem a pratica acaba por se sentir na merda, a pessoa com quem a praticou acaba por perceber que foi usada e a pessoa tra�da acaba por se sentir magoada.

A Infidelidade em S�rie (IeS) � muito mais complexa. Porque quem a pratica considera-a banal e leg�tima, a(s) pessoa(s) com quem a praticou sabe(m) que pode(m) continuar � espera de mais sem o peso de uma rela��o a s�rio, e quem � tra�do vive na doce/amarga ilus�o de que tem uma RLT quando na realidade s� se tem a si pr�prio.

A Infidelidade Acordada (IA) � um misto das duas. Tenta retirar a culpa de quem a pratica relativizando o sexo e colocando-o na redoma de "necessidade f�sica". Neste caso, ambos concordam com rela��es ocasionais com outras pessoas desde que n�o ultrapassem o sexo puro. Infelizmente raros s�o os casos em que � praticado em grau de igualdade. Geralmente quem mais vive a rela��o acaba por ceder a este tipo de acordo, com medo de algo pior. O mo�o do blog Wet Dreaming vive - publicamente - uma rela��o destas j� h� dez anos. A regra que segue � que ele s� pode ter sexo com outras pessoas quando o namorado n�o est�. Como o namorado trabalha durante a semana noutra cidade tudo resulta na paz dos anjos. Agora o que eu me pergunto � o que acontecer� quando um dia viverem juntos e acabarem os time-outs ?

Os problemas a s�rio n�o come�am depois da infidelidade consumada, mas, obviamente, depois da sua descoberta. A sensa��o de seguran�a desaparece e d� lugar � incredulidade ("n�o, ele n�o me fez isto"), seguindo-se da raiva ("filho da m�e") e da indiferen�a ("para mim ele n�o existe"). S� que para passar de umas fases para as outras o desgaste emocional � enorme. E geralmente a outra parte tende a n�o colaborar. Come�a por negar tudo e depois entra na fase gramatical do G�nero ("ele nem faz o meu tipo"), N�mero ("foi s� uma vez") e grau ("foi apenas uma quecazinha"). Quem � tra�do s� tem duas solu��es. Ou sente que o reavivar da rela��o vale a pena e que tudo n�o passou de uma IP ou que afinal era uma IeS e que n�o h� rem�dio poss�vel. Ou como alternativa entra num esquema de IA (que tamb�m pode significar, convenientemente, intelig�ncia artificial) sem grandes garantias de um futuro risonho.

�s vezes as rela��es resultam, outras vezes n�o. O importante � conseguirmos transformar uma experi�ncia dolorosa em aprendizagem �til. A pr�xima rela��o (que quem foi tra�do jura a p�s juntos que nunca mais querer�) ir� inevitavelmente ocorrer. Conv�m � que as li��es do passado sejam aproveitadas para n�o se cair uma segunda vez na mesma situa��o. Ou, como ningu�m � anjinho, n�o acabarmos n�s pr�prios no papel do outro.

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